Atravessando os séculos recheando minha pós-vida de sangue e
corpos, eu os trago hoje a sanguinária e deliciosa resenha de Entrevista com o
Vampiro, a História de Claudia.
“‘Acorde, Cláudia. Você está doente, está me ouvindo?
Precisa fazer o que eu mandar para ficar boa. Precisar beber para ficar boa.’
Ela é a vampira que nunca deveria ter sido. Sua própria
existência é tida como uma abominação entre as criaturas da noite. Com a
luxúria de uma predadora aprisionada no corpo de uma criança, ela se move através
das sombras de um mundo sempre fora de seu alcance. Órfã, filha, vítima e
monstro...
Esta é a história de Cláudia.”
Uma HQ belíssima baseada no primeiro livro da série incrível
criada por Anne Rice e nos apresentando a clássica história que já foi até mesmo
para o cinema. Mas dessa vez veremos a clássica história dos vampiros pelo
ponto de vista de uma outra personagem. A vampira Cláudia.
Temos toda a sua história contada desde o momento de sua
transformação graças ao charmoso Lestat, até o momento de sua derradeira morte.
E tudo ilustrado pela talentosíssima Ashley Marie Witter. E como continuar
agora sem falar sobre ela ou a autora da história original?
Anne Rice nasceu em Orleans em 1941 e ocupa hoje um dos
lugares de maior prestigio na literatura
de horror e fantasia. Em 1976, a
autora reinventou o mito do vampiro a partir do consagrado Entrevista Com o vampiro,
o primeiro livro da bem-sucedida série Crônicas Vampirescas, obra essa já
adaptada para o cinema com atuações de Brad Pitt, Tom Cruise e Antonio
Banderas.
A partir de então,
Anne Rice venderia mais de 100 milhões de livros pelo mundo. Em sua obra, o
mundo visível e o sobrenatural se encontram em tramas que combinam história,
filosofia, religião, mitologia e erotismo. Obra essa tão fantástica que já
rendeu outras duas adaptações de livros das Crônicas.
Mas não só de vampiros vive a altura. Ela também já
reinventou o mito dos lobisomens, das bruxas, da Bela Adormecida e até mesmo a
vida de Jesus. Além de diversas outras obras. Atualmente, Anne vive no interior
da Califórnia.
Já Ashley Marie Witter nasceu em Madison, cidade do estado
de Wisconsin nos EUA. Estudou artes visuais com Mark A. Nelson (desenhista da
minissérie de quadrinhos Aliens pela editora Dark Horse Comics) além de também
ter estudado animação. Depois de fazer quadrinhos na web em trabalhos como
Reign of Adeodatus e Scorch, Ashley também colaborou com uma antologia chamada
Gothology: The Sad Eternal. Sua arte, que mistura o traço do mangá japonês com
o preciosismo do barroco, chamou imediatamente a atenção da editora Yes Press,
que a convidou a ilustrar a primeira graphic novel baseada no universo
ficcional de Anne Rice.
Meu único pensamento foi que eu
queria mais.
A HQ, trazida para nós pela editora Rocco assim como todos
os livros de Anne Rice que vieram para o Brasil, começa com a melhor maneira
possível de se começar a história de Cláudia. O seu nascimento. Ou seria
segundo nascimento? O momento de sua transformação em vampira e o inicio nova
vida.
Daí então somos levados a história que muitos já devem
conhecer pelo icônico filme ou até mesmo pelo livro, mas que ainda assim vale a
viagem pelas páginas ilustradas. Com desenhos em tons de sépia que combinam
magistralmente com o ar da obra deixando-a ainda mais sombria nos momentos necessários.
As feições próximas dos mangás não deixava a obra com um ar infantil ou algo
parecido, mas sim ainda mais vivaz e com expressões ainda mais vivas para esses
mortos-vivos.
A única coisa que não segue o estilo de sépia proposta são
coisas envolvendo a cor vermelha como o sangue, algo mais que presente numa
obra com vampiros, e as cenas com chamas tão bem desenhadas que queria mais
delas ao longo da leitura.
Lembre-se, Cláudia, a vida eterna é
inútil se não observamos a beleza que nos cerca. A criação de mortais por toda
parte, as pinturas, poesia, música...
Aprendemos ao longo das páginas sobre a forma de pensar e de
ver o mundo de Cláudia, a garota sentenciada eternamente a ser uma criança
mesmo que sua maturidade psicológica se torne a de uma mulher. E como é
incrível ver a evolução dela. Desde uma garotinha assustada a uma cruel
assassina. De um mero fantoche àquela que tentaria golpes contra a pós-vida de um
dos seres mais poderosos da obra. Da mera “filhinha” indefesa da dupla a que
regeria a vida deles e iria se opor contra aqueles que ela não fosse com a
cara.
Viajamos por entre países e épocas, conhecendo não apenas
outras partes do mundo, mas também outros icônicos e sensacionais vampiros.
Para os que já estão acostumados com os atores do filme,
talvez se choquem com os rostos dos personagens na graphic novel já que eles
são baseados na obra original então são os mais próximos de correto que temos
realmente.
A leitura é incrível e o roteiro muitíssimo bem adaptado. Para
aqueles que já conhecem a obra original ou sua adaptação mais famosa, a HQ
ainda irá surpreender a todos já que seu ponto de vista foi alterado para o da
jovem vampira então re-aprendemos sobre o mundo do qual já estamos
familiarizados e vemos os personagens que já conhecemos de outra maneira.
-Tirei sua vida. Ele a devolveu.
-E aqui estamos. E eu odeio a ambos.
-E aqui estamos. E eu odeio a ambos.
Aos que ainda não conhecem esse universo incrível, mas
querem começar a conhecer leiam a graphic novel. Primeiro, porque é bem mais
simples de encontrar do que o livro original em qualquer livraria já que a
Rocco não parece renovar os estoques da série a um bom tempo. Segundo, porque é
uma leitura bem mais dinâmica e rápida do que seria a do livro e assim você já
não chega desarmado na hora de conhecer o livro e sua mitologia (saber a
história da HQ não prejudica a história do livro já que ele contem bem mais
coisas) além de já ter uma identidade visual sobre os personagens e alguns
ambientes, algo que auxilia ainda mais em se entrar naquele novo mundo.
Se você for fã de Crepúsculo ou outras obras teen envolvendo
vampiros como The Vampire Diaries não tenha medo de ler essa graphic novel.
Pelo contrário, vá em busca dela. Lendo você talvez ganhe um novo ponto de
vista sobre esses seres que algumas pessoas só conhecem como caras que não
gostam de beber sangue de garotas (algo que provavelmente começou aqui com o
adorável Louis) ou bad boys (algo que provavelmente começou também aqui com o
sedutor e mortal Lestat.
Muitos dos autores atuais sobre vampiros se baseiam na obra
de mestra Anne Rice e (eu,
particularmente acho, que....) é sempre bom conhecermos
os mestres que inspirarem nossos autores prediletos, além buscarmos sempre que
possível obras mais maduras de acordo com o nosso avanço no mundo literário.
Capa/Arte interna: 10
Enredo: 9.7
Personagens: 9.7
Média: 9.8
Enredo: 9.7
Personagens: 9.7
Média: 9.8
E hoje surjo com uma perguntinha para vocês, adorados
leitores e adoradas leitoras.
Se você tivesse sido forçado a se transformado em um
vampiro, o que teria feito ao renascer?


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