Pelas escuras e mortais vielas de Gotham, cruzando os
corredores enlouquecedores do Asilo Arkham, combatendo os mais insanos vilões
dos quadrinhos, eu venho hoje lhes trazer a mais nova resenha do blog.
A obra de hoje é Batman - A Piada Mortal.
“ Está história vem para contar como um dia ruim na vida de
um homem pode significar a linha que separa a sanidade da loucura. Em A Piada
Mortal, os fãs saberão a origem do Coringa contada por Alan Moore e saberão mais
sobre sua relação conturbada com o Cavaleiro das Trevas.”
Sim, queridas leitoras e queridos leitores, hoje falarei
sobre uma das obras mais fantásticas do universo de quadrinhos da DC Comics e a
minha predileta com relação ao universo particular do Batman já que aqui
lidamos com a melhor representação do seu mais icônico vilão, o Coringa.
Escrita por um dos maiores escritores de HQs da história,
Alan Moore (autor apenas de obras como V de Vingança, Liga Extraordinária e
Watchmen), e ilustrada por Brian Bolland, essa é uma das mais icônicas histórias
sobre o universo do super-herói Batman e por uma excelente razão.
Estive pensando muito ultimamente. Sobre
você... e eu. Sobre o que vai acontecer conosco no fim.
Logo no começo vemos o Cavaleiro das Trevas adentrando o
Asilo Arkham e indo ao encontro do seu arqui-inimigo para ter um debate. Uma terrível
questão permeia a sua mente e é a base de todo o enredo da HQ. Não seria aquela
série de disputas entre os dois apenas uma louca espiral que acabaria com a
morte de um deles ou até de ambos?
E durante pouco mais de quarenta páginas, Alan Moore nos
leva entre uma alternância de períodos temporais tanto para contar a trajetória
do Batman mais uma vez atrás de seu mais perigoso adversário que dessa vez
passou de todos os limites e também revelar a trajetória daquele que viria a se
tornar o Coringa numa época em que ainda era apenas um homem qualquer tentando
agir como o primeiro Capuz Vermelho.
Ao longo da obra não aprendemos apenas sobre o passado do
Coringa, mas também ganhamos um novo ponto de vista sobre a relação dele e do
Morcego. Contudo, aqueles que pensam que esse quadrinho se limita apenas a
contar mais uma história estão redondamente enganados. Em determinado momento
acontecerá um ato que mudará toda a história de uma outra personagem e que
seria cânone no universo Batman durante anos até o recente reboot executado
pela DC.
Temos um circo dos horrores digno do seu criador, um comissário
Gordon sendo quebrado psicologicamente e fisicamente, um Batman questionando
suas próprias ações, verdades e métodos, um Coringa atingindo o ápice da
loucura como pouquíssimas vezes se repetiu, uma incessante discussão dos
limites dos personagens e das suas definições de certo e errado neste mundo
louco no qual estão inseridos e um dos finais mais contestados entre os
leitores (mesmo sendo o melhor final imaginável). Uma leitura mais que
necessária tanto para os novos fãs do Cavaleiro das Trevas trazidos pelos
filmes quanto para os atuais que ainda não leram (algo que considero
inexistente).
Uma história que nos faz contestar os limites da sanidade,
as nossas próprias definições de mundo, sobre justiça, ordem, sanidade e
loucura. Uma história que nos mostra que a diferença entre heróis e vilões pode
ser apenas na forma como eles lidam com a sua loucura. A mesma loucura.
E se você apagar a luz quando eu
estiver no meio do caminho?
Trazida para as terras brasileiras pela Panini Comics e
relançada recentemente numa versão de luxo que recebeu uma nova coloração nas
páginas e capa dura, ainda se é possível achar em algumas livrarias.
Para aqueles que talvez contestem o valor dessa HQ, ela foi tão marcante para o vilão que as
duas primeiras imagens do ator Jared Leto caracterizado como o personagem para
o futuro filme do Esquadrão Suicida homenageiam duas das mais marcantes imagens
dele, ambas saídas da obra.
Uma resenha muito difícil de ser realizada sem dar spoilers
significativos para aqueles que desejarem conhecer a HQ, mas que espero ter
captado o sentido da obra.
Capa/Arte interna: 10
Enredo: 10
Personagens: 10
Média: 10
Enredo: 10
Personagens: 10
Média: 10
E para o final dessa HQ os deixo com uma pergunta feita na próprias
páginas dela.
Quem nos obriga a ser racionais?



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