sábado, 23 de maio de 2015

A Leitura Mortal

Pelas escuras e mortais vielas de Gotham, cruzando os corredores enlouquecedores do Asilo Arkham, combatendo os mais insanos vilões dos quadrinhos, eu venho hoje lhes trazer a mais nova resenha do blog.

A obra de hoje é Batman - A Piada Mortal.


“ Está história vem para contar como um dia ruim na vida de um homem pode significar a linha que separa a sanidade da loucura. Em A Piada Mortal, os fãs saberão a origem do Coringa contada por Alan Moore e saberão mais sobre sua relação conturbada com o Cavaleiro das Trevas.”

Sim, queridas leitoras e queridos leitores, hoje falarei sobre uma das obras mais fantásticas do universo de quadrinhos da DC Comics e a minha predileta com relação ao universo particular do Batman já que aqui lidamos com a melhor representação do seu mais icônico vilão, o Coringa.


Escrita por um dos maiores escritores de HQs da história, Alan Moore (autor apenas de obras como V de Vingança, Liga Extraordinária e Watchmen), e ilustrada por Brian Bolland, essa é uma das mais icônicas histórias sobre o universo do super-herói Batman e por uma excelente razão.

Estive pensando muito ultimamente. Sobre você... e eu. Sobre o que vai acontecer conosco no fim.

Logo no começo vemos o Cavaleiro das Trevas adentrando o Asilo Arkham e indo ao encontro do seu arqui-inimigo para ter um debate. Uma terrível questão permeia a sua mente e é a base de todo o enredo da HQ. Não seria aquela série de disputas entre os dois apenas uma louca espiral que acabaria com a morte de um deles ou até de ambos?

E durante pouco mais de quarenta páginas, Alan Moore nos leva entre uma alternância de períodos temporais tanto para contar a trajetória do Batman mais uma vez atrás de seu mais perigoso adversário que dessa vez passou de todos os limites e também revelar a trajetória daquele que viria a se tornar o Coringa numa época em que ainda era apenas um homem qualquer tentando agir como o primeiro Capuz Vermelho.

Ao longo da obra não aprendemos apenas sobre o passado do Coringa, mas também ganhamos um novo ponto de vista sobre a relação dele e do Morcego. Contudo, aqueles que pensam que esse quadrinho se limita apenas a contar mais uma história estão redondamente enganados. Em determinado momento acontecerá um ato que mudará toda a história de uma outra personagem e que seria cânone no universo Batman durante anos até o recente reboot executado pela DC.

Temos um circo dos horrores digno do seu criador, um comissário Gordon sendo quebrado psicologicamente e fisicamente, um Batman questionando suas próprias ações, verdades e métodos, um Coringa atingindo o ápice da loucura como pouquíssimas vezes se repetiu, uma incessante discussão dos limites dos personagens e das suas definições de certo e errado neste mundo louco no qual estão inseridos e um dos finais mais contestados entre os leitores (mesmo sendo o melhor final imaginável). Uma leitura mais que necessária tanto para os novos fãs do Cavaleiro das Trevas trazidos pelos filmes quanto para os atuais que ainda não leram (algo que considero inexistente).

Uma história que nos faz contestar os limites da sanidade, as nossas próprias definições de mundo, sobre justiça, ordem, sanidade e loucura. Uma história que nos mostra que a diferença entre heróis e vilões pode ser apenas na forma como eles lidam com a sua loucura. A mesma loucura.

E se você apagar a luz quando eu estiver no meio do caminho?

Trazida para as terras brasileiras pela Panini Comics e relançada recentemente numa versão de luxo que recebeu uma nova coloração nas páginas e capa dura, ainda se é possível achar em algumas livrarias.

Para aqueles que talvez contestem o valor dessa  HQ, ela foi tão marcante para o vilão que as duas primeiras imagens do ator Jared Leto caracterizado como o personagem para o futuro filme do Esquadrão Suicida homenageiam duas das mais marcantes imagens dele, ambas saídas da obra.




Uma resenha muito difícil de ser realizada sem dar spoilers significativos para aqueles que desejarem conhecer a HQ, mas que espero ter captado o sentido da obra.

Capa/Arte interna: 10
Enredo: 10
Personagens: 10
Média: 10


E para o final dessa HQ os deixo com uma pergunta feita na próprias páginas dela. 
Quem nos obriga a ser racionais?

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