E queridos leitores e queridas leitoras, hoje venho direto
do sétimo céu com minha mais nova resenha, pois o livro de hoje é A Batalha do
Apocalipse.
“Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de
estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo
de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos
poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os
renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens
até o juízo final.
Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste
de contas, o dia do despertar do Altíssimo. Único sobrevivente do expurgo, o
líder dos renegados é convidado por Lúcifer,
o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na batalha do Armagedom, o embate
final entre Céu e o Inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo,
mas o futuro do universo.
Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano; das
vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval. A
batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana, mas também
uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, cheio de lutas heroicas,
magia, romance e suspense.”
E por onde começar a resenha de hoje se não pelo escritor da obra?
O autor da vez é Eduardo Spohr. Ou Vince Gloto para os fãs do podcast do site Jovem Nerd, o nerdcast, assim como eu.
Nosso querido autor é um carioca nascido em 1976 e formado
em jornalismo. Filho de pai piloto de aviões e mãe comissária de bordo, o alvo
desta resenha viajou para diversos países ainda pequeno. Declarado sem
religião, amante de RPG (o role-playing game e não a reeducação postural
global) e crescendo no meio da paranóia da Guerra Fria o autor encontrou ali
uma base para sua futura escrita.
Trabalhou durante alguns anos na sua área de formação
acadêmica, mas a literatura, sua grande paixão, acabou dominando sua vida de
vez após ganhar um concurso literário que tinha como parte do prêmio a
impressão de alguns volumes do livro vendedor.
A partir daí, ele, que até então só escrevia por pura
paixão, ingressou no mercado. Vendendo os exemplares obtidos no site do Jovem
Nerd pelo selo Nerdbooks, esgotou rapidamente sua tiragem inicial fazendo com
que novos exemplares fossem impressos até alcançar mais de quatro mil volumes
vendidos apenas pelo site.
Com já tamanho sucesso não alcançado por vários autores
publicados atualmente no país por algumas editoras, Eduardo foi convidado a
publicar seu livro agora pelo selo Verus do grupo editorial Record. Daí para a
frente foi apenas cada vez mais sucesso merecido sendo escritor de uma trilogia
apenas esperando o terceiro volume ser lançado, Filhos do Éden, e também agora
publicado não apenas no Brasil, mas também em países como Portugal e Alemanha.
E agora sim chegamos aonde queria.
Com uma temática bem óbvia pelo titulo, o livro terá boa
parte de sua ambientação no período do Apocalipse bíblico, período esse que o
autor situa no século XXI e mais especificamente iniciado oito anos após as
olimpíadas no Rio de Janeiro (lembrando, na época em que Eduardo Spohr publicou
o livro pela primeira vez estávamos anos de distância do anúncio das olimpíadas
de 2016 na capital carioca. Como já diria o icônico professor d’Os Incríveis
“Coincidência? Acho que não!”).
No começo do livro somos logo introduzidos ao universo que
será trabalhado futuramente por meio de uma espécie de resumo histórico
envolvendo os acontecimentos fantásticos. Aquilo conhecido como o Manuscrito
Sagrado dos Malakins.
Logo então somos levados para um primeiro capitulo com um
peso muito maior do que entendemos na sua primeira leitura. Um diálogo entre
dois arcanjos, Miguel e Uriel.
Daí enfim conhecemos o protagonista do livro, o anjo
renegado Ablon. Morador atualmente da cidade do Rio de Janeiro, temos a sua
cena inicial ocorrendo no Cristo Redentor, ou melhor, nos braços de deus como
dito no próprio livro. A partir dali somos guiados por toda a vida do nosso
herói.
Indo em alternância entre a história no presente do livro
para viagens inacreditáveis ao passado do nosso planeta. Indo desde civilizações antigas como a babilônica até a Inglaterra durante a era medieval, o
livro nos da uma incrível (mas com, obviamente, licenças poéticas) aula de
história. Algo que Eduardo Spohr faz lindamente nos seus livros futuros como
Anjos da Morte que será alvo de futuras criticas.
Vemos como Ablon evolui ao longo de toda a sua jornada
enfrentando monstros, deuses e, claro, outros anjos e até mesmo arcanjos. Como
ele evolui de um general renegado por ir contra as ordens de seus superiores
para aquele que lideraria as hostes celestes durante o grande evento prometido
na capa do livro, o Apocalipse.
Entretanto não é apenas de lutas e aulas de histórias que
este livro se baseia. Temos também toda a evolução da relação dele com a sua
amiga feiticeira Shamira (conhecida no livro como a feiticeira de En-Dor, uma referência a uma personagem bíblica do Antigo Testamento). A sua amizade com o anjo caído Orion, antigo senhor de Atlântida. Como ele
desenvolve relações com vários outros personagens que surgem ao longo de sua
vida terrena. Mas não apenas de boas amizades que a obra se fazer. Também temos
as rixas de Ablon com outro anjo caído e seu arqui-inimigo, Apollyon (outra referência bíblica, agora ao Novo Testamento e o seu mais enigmático livro, APOCALIPSE). Suas intrigas
com os quase-onipotentes arcanjos.
E ao longo disso descobrimos que anjos e demônios são tão humanos
quanto nós.
Com uma mitologia própria que vai muito além da
judaico-cristã, Eduardo Spohr nos apresenta o tecido da realidade. Algo que vem
aproveitado de mitologias mais orientais e que propõe que o nosso mundo e os
outros que nos cercam são divididos por uma espécie de tecido que se afina ou
adensa dependendo das pessoas que nele vivem. Como já está explícito em seu
nome, é esse tecido que vai definir como enxergamos a nossa realidade e o que
as pessoas comuns terão acesso dos outros planos assim como os outros planos
terão de nós. Uma forma de proteção e de aprisionamento simultaneamente recheada de filosofia e misticismo na sua concepção.
E claro, não posso deixar de falar da edição especial que saiu no Brasil. Na época que soube de sua existência já tinha lido o livro (algo que já faz um BOM tempo) então não pensei em comprar. Que erro meu. Com capa dura, capítulos cortados, informações novas sobre o universo da obra e ilustrações lindas sobre as castas e até sobre os Céus. Mas não pense que você que via consumir a versão comum, ou a econômica, vão sair sem nenhum agrado. No final do livro temos um Glossário bem interessante e uma linha do tempo onde conhecemos até novos fatos sobre aquele universo e conseguimos situar melhor alguns acontecimentos.
Um livro cheio de referências, mas com algumas que me
ganharam de vez. Dungeons & Dragons, ou simplesmente D&D. Desde a arma
usada por nosso herói, a Vingadora Sagrada, a coisas como o fato do rio
Aqueronte levar as pessoas aos planos inferiores e a forma como vemos e
interagimos com o plano etéreo e o plano astral, Também temos a forma meio espiritual muito provavelmente inspirado no RPG Lobisomem, da White Wolf e que se for, parabéns Eduardo, você fez de uma maneira incrível. E assim o autor vai espalhando seu
amor por uma das maiores formas de entretenimento cultural que é o RPG.
Aos interessados, como todo bom fã de RPG, o autor criou um RPG que se passa no seu próprio universo. Criação dele então podemos confiar. O link é esse:
http://filosofianerd.com.br/pdf/abda-rpg-regras.pdf
Qualquer um que souber de uma versão atualizada deixe nos comentários :)
O primeiro livro do autor, com incríveis mais de 550 páginas, sem dúvidas é uma obra fantástica e
não apenas pelo gênero em que ela se enquadra. Já vi muitas pessoas falando que era um livro denso demais, com um universo muito grande sendo apresentado para tantas páginas e só tenho uma coisa a dizer sobre isso. Meus pêsames, você provavelmente não soube aproveitar o que lhe foi apresentado da maneira como deveria porque já tive o desprazer de ler livros BEM menores, com universos bem menos complexos, em que sai de lá carente de informações e sem entender o funcionamento de muitas coisas. Spohr conseguiu falar de muitas coisas e de maneira muito didática em apenas um livro e isso é um mérito cada vez mais difícil nos autores atuais.
Dessa vez a nota não será apenas algo individual, quero
agora deixar claro o valor de cada parte da obra em si e a nota final será uma
média das outras.
Capa/diagramação: 9.0
Enredo: 9.4
Personagens: 9.2
Média final: 9.2




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