sábado, 14 de março de 2015

A Saga do Leitor Geralt de Rívia

Bem, bem, bem, adoradas leitoras e adorados leitores deste humilde blog, hoje venho a vocês com mais uma resenha/critica/comentário/ou-qualquer-outro-termo do gênero literário fantástico. Para esclarecimentos, sim estou postando duas resenhas no mesmo dia, mas isso é graças a uma certa mania minha de ler de dois a três livros e HQs ao mesmo tempo então tendo a acabar mais de uma obra no mesmo dia ou em dias próximos. Sem mais delongas aqui vem a terceira resenha desse blog.


O livro de hoje é o primeiro da (até o momento pelo menos no Brasil) quadrilogia intitulada A Saga do Bruxo Geralt de Rívia, tendo como livro inicial O Último Desejo. 


“Geralt de Rívia é um personagem estranho, um mutante que, graças à magia e a um longo treino, mas também a um misterioso elixir, se tornou um assassino perfeito. Os seus cabelos brancos, os seus olhos que vêem melhor de noite que de dia, o seu manto negro, assustam e fascinam. E Geralt dedica-se a viajar por terras pitorescas, ganhando a vida como caçador de monstros. Pois nos tempos obscuros que lhe couberam em sorte abundam ogres e vampiros, e os magos são especialistas da manipulação. Contra todas essas ameaças, um assassino hábil é um recurso indispensável. Ora Geralt, que é ao mesmo tempo um guerreiro e um mago, tem capacidades que o fazem impor-se a todo esse estranho mundo. É um feiticeiro. E é absolutamente único.No decurso das suas aventuras, encontrará uma sacerdotisa autoritária, mas generosa, um trovador lascivo, mas de bom coração, e uma feiticeira caprichosa, de encantos venenosos. Amigos por um dia, amantes de uma noite. Talvez porém que no final da sua epopéia ele possa realizar o seu último desejo: reencontrar a sua humanidade perdida…”



A série é escrita por Andrzej Sapkowski, um polonês nascido em junho de 48. Ganhador de vários prêmios literários, começou como escritor de contos para uma revista por volta de 96. Com mais de um milhão de livros vendidos ele só comprova a qualidade das suas obras, da qual a melhor é esta que iniciarei a falar agora.

O Último Desejo se trata daquilo que já é deixado claro no titulo da saga. A saga deste tal de Geralt, vindo de Rívia e ostentando o titulo de bruxo. Acredito que a sinopse deixa bem claro que nosso protagonista não é propriamente um humano comum.
Geralt, ou como alguns o chama, Lobo Branco (graças a sua cabeleira branca causada pelos diversos experimentos que sofreu e também pelo colar que possui com a face de um lobo), é um bruxo, ou como na obra original, um Wiedzmin (traduzido para o inglês como witcher), alguém versado na arte com a espada, em usar determinados tipos de feitiços, conhecedor de ciências como a herbologia e por terem passado por um rigoroso treinamento envolvendo magia e certos elixires que pareceram melhorar suas condições físicas e o conferiram dons não-humanos.

Com suas habilidades sobre-humanas, esse bruxo percorre o mundo em que vive matando as mais diversas criaturas. Um mundo medieval e rústico, recheado de mitologia eslava e referencias a contos infantis clássicos, onde ele exerce uma função próxima de um caçador de recompensas, mas com um código de conduta próprio e enfrentando feras que os humanos comentam apenas para seus filhos antes de dormir. Mas Geralt não é um mero assassino de monstros, também quebra as mais diversas maldições mesmo que envolva ter que matar para isso e diferente de cavaleiros, magos e feiticeiros, as pessoas nutrem uma mistura de temor e respeito pelos seus serviços que já são contratados com um único objetivo e por valores altíssimos. Na melhor citação digna de uma tropa de elite ao qual os bruxo são, quando todos falham um bruxo consegue.

Em uma narrativa não-linear, alternando entre o presente e o passado contado em forma de contos, descobrimos aos poucos a vida de Geralt e como ele chegou a ter as relações atuais com determinados personagens no presente.

Combates sensacionais preenchem as aventuras do bruxo. Ação envolvendo seres fantásticos e mortais capazes de aterrorizar o mais bravo homem, mas que somente ganharia a espada de um bruxo na garganta. Cenas eletrizantes que nos fazem temer pela vida do protagonista mesmo que saibamos que ele está vivo já que esta no “presente” e isso só torna tudo ainda mais interessante. Como ele resolveu tal crise? Como superou tal adversidade? Respostas que adoramos obter ainda mais do que como obtivemos as perguntas.

Mas se você espera apenas um livro contendo ação e golpes de espadas pode então deixar de ler. Andrzej trás no seu livro uma serie de debates filosóficos sobre vários temas. Religião, política, corrupção, amor, ganância e diversas outras coisas introduzidas por meio de conversas e narrações tão naturais que nos sentimos parte delas as vezes.  Todos os debates recheados do sarcasmo gritante deste maravilhoso anti-herói.

Uma pessoa aparentemente fria, Geralt na realidade é apenas alguém direto e concentrado no seu trabalho. Um homem de poucas e sabias palavras e ainda assim humilde o suficiente para respeitar as crenças alheias mesmo sendo opostas as suas ou até mesmo envolvendo fatos desconhecidos por ele (algo que muitas pessoas tem que aprender no mundo real).

Visto por muitos como um grande guerreiro e ao mesmo tempo uma fera sanguinária disposta a matar qualquer coisa que o dinheiro possa pagar o bruxo se revela muito mais do que apenas isso. Alguém que os ricos vêem apenas como um ser neutro que faz tudo por dinheiro e não liga para o real contexto do que ocorre, o Lobo Branco demonstra uma intuição e um senso do oculto fantásticos fazendo-o muitas vezes contestar o porquê de determinado trabalho e até quais as intenções de alguém com tudo aquilo. Chega até mesmo a não matar determinado “monstro” por simplesmente ver o alvo como mais do que apenas uma besta.

Justo, leal, com palavra e ainda assim misterioso e mortal. Este é Geralt da cidade de Rívia, um homem com habilidades fantásticas, mas dono de um destino carregado de desafios que podem trazer grandeza ou devastação. Um dos grandes momentos de sua vida e determinante do seu futuro é o próprio evento que dá nome ao livro e nos traz várias respostas sobre alguns personagens e também novas perguntas.



Sem dúvidas Andrzej é um dos melhores autores de fantasia atualmente no mundo. A Saga do Bruxo Geralt de Rívia, aqui vindo pela editora WMF Martins Fontes, é apenas uma das provas disso. Com sua mais famosa obra adaptadas aos mais diversos meios como quadrinhos, um filme e uma serie de 13 episódios, ambos de origem polaca, e aquela que talvez seja a maior adaptação da saga. A série de jogos The Witcher.

Poderia fazer mais uma resenha só para essa futura trilogia de games, mas acredito que ela não cabe aqui no momento então deixarei para (talvez) uma futura oportunidade.

Por hora fiquem apenas com esta humilde resenha desta obra fantástica trazida pela editora que além de já ter no catalogo dois dos maiores (se não os maiores) escritores de fantasia mundial, CS Lewis e JRR Tolkien, eles agora tem Andrzej Sapkowski. Num formato não muito do meu agrado por ter folhas brancas e não amarelas, mas ainda assim com uma capa belíssima com o nosso anti-herói nela e o medalhão que é a prova de ser um bruxo estampado em cada capitulo. Mesmo com meu desagrado sobre as folhas é um livro mais do que necessário para se ler para qualquer um que goste de fantasia adulta atual e esteja afim de conhecer mais sobre o universo no qual o jogo se passa.

Uma obra digna de um 9/10.

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