Bem, bem, bem, adoradas leitoras e adorados leitores deste humilde
blog, hoje venho a vocês com mais uma resenha/critica/comentário/ou-qualquer-outro-termo
do gênero literário fantástico. Para esclarecimentos, sim estou postando duas
resenhas no mesmo dia, mas isso é graças a uma certa mania minha de ler de dois
a três livros e HQs ao mesmo tempo então tendo a acabar mais de uma obra no
mesmo dia ou em dias próximos. Sem mais delongas aqui vem a terceira resenha
desse blog.
O livro de hoje é o primeiro da (até o momento pelo menos no Brasil) quadrilogia
intitulada A Saga do Bruxo Geralt de Rívia, tendo como livro inicial O Último
Desejo.
“Geralt de Rívia é um personagem estranho, um mutante que,
graças à magia e a um longo treino, mas também a um misterioso elixir, se
tornou um assassino perfeito. Os seus cabelos brancos, os seus olhos que vêem
melhor de noite que de dia, o seu manto negro, assustam e fascinam. E Geralt
dedica-se a viajar por terras pitorescas, ganhando a vida como caçador de
monstros. Pois nos tempos obscuros que lhe couberam em sorte abundam ogres e
vampiros, e os magos são especialistas da manipulação. Contra todas essas
ameaças, um assassino hábil é um recurso indispensável. Ora Geralt, que é ao
mesmo tempo um guerreiro e um mago, tem capacidades que o fazem impor-se a todo
esse estranho mundo. É um feiticeiro. E é absolutamente único.No decurso das
suas aventuras, encontrará uma sacerdotisa autoritária, mas generosa, um
trovador lascivo, mas de bom coração, e uma feiticeira caprichosa, de encantos
venenosos. Amigos por um dia, amantes de uma noite. Talvez porém que no final
da sua epopéia ele possa realizar o seu último desejo: reencontrar a sua
humanidade perdida…”
A série é escrita por Andrzej Sapkowski, um polonês nascido em junho de 48. Ganhador de vários prêmios literários, começou como escritor de contos para uma revista por volta de 96. Com mais de um milhão de livros vendidos ele só comprova a qualidade das suas obras, da qual a melhor é esta que iniciarei a falar agora.
O Último Desejo se trata daquilo que já é deixado claro no titulo
da saga. A saga deste tal de Geralt, vindo de Rívia e ostentando o titulo de
bruxo. Acredito que a sinopse deixa bem claro que nosso protagonista não é
propriamente um humano comum.
Geralt, ou como alguns o chama, Lobo Branco (graças a sua
cabeleira branca causada pelos diversos experimentos que sofreu e também pelo
colar que possui com a face de um lobo), é um bruxo, ou como na obra original,
um Wiedzmin (traduzido para o inglês como witcher), alguém versado na arte com
a espada, em usar determinados tipos de feitiços, conhecedor de ciências como a
herbologia e por terem passado por um rigoroso treinamento envolvendo magia e
certos elixires que pareceram melhorar suas condições físicas e o conferiram
dons não-humanos.
Com suas habilidades sobre-humanas, esse bruxo percorre o mundo em
que vive matando as mais diversas criaturas. Um mundo medieval e rústico, recheado
de mitologia eslava e referencias a contos infantis clássicos, onde ele exerce
uma função próxima de um caçador de recompensas, mas com um código de conduta próprio
e enfrentando feras que os humanos comentam apenas para seus filhos antes de
dormir. Mas Geralt não é um mero assassino de monstros, também quebra as mais
diversas maldições mesmo que envolva ter que matar para isso e diferente de cavaleiros,
magos e feiticeiros, as pessoas nutrem uma mistura de temor e respeito pelos
seus serviços que já são contratados com um único objetivo e por valores altíssimos.
Na melhor citação digna de uma tropa de elite ao qual os bruxo são, quando
todos falham um bruxo consegue.
Em uma narrativa não-linear, alternando entre o presente e o
passado contado em forma de contos, descobrimos aos poucos a vida de Geralt e
como ele chegou a ter as relações atuais com determinados personagens no
presente.
Combates sensacionais preenchem as aventuras do bruxo. Ação envolvendo
seres fantásticos e mortais capazes de aterrorizar o mais bravo homem, mas que
somente ganharia a espada de um bruxo na garganta. Cenas eletrizantes que nos
fazem temer pela vida do protagonista mesmo que saibamos que ele está vivo já que
esta no “presente” e isso só torna tudo ainda mais interessante. Como ele
resolveu tal crise? Como superou tal adversidade? Respostas que adoramos obter
ainda mais do que como obtivemos as perguntas.
Mas se você espera apenas um livro contendo ação e golpes de
espadas pode então deixar de ler. Andrzej trás no seu livro uma serie de
debates filosóficos sobre vários temas. Religião, política, corrupção, amor, ganância
e diversas outras coisas introduzidas por meio de conversas e narrações tão naturais
que nos sentimos parte delas as vezes. Todos
os debates recheados do sarcasmo gritante deste maravilhoso anti-herói.
Uma pessoa aparentemente fria, Geralt na realidade é apenas alguém
direto e concentrado no seu trabalho. Um homem de poucas e sabias palavras e
ainda assim humilde o suficiente para respeitar as crenças alheias mesmo sendo
opostas as suas ou até mesmo envolvendo fatos desconhecidos por ele (algo que
muitas pessoas tem que aprender no mundo real).
Visto por muitos como um grande guerreiro e ao mesmo tempo uma
fera sanguinária disposta a matar qualquer coisa que o dinheiro possa pagar o
bruxo se revela muito mais do que apenas isso. Alguém que os ricos vêem apenas
como um ser neutro que faz tudo por dinheiro e não liga para o real contexto do
que ocorre, o Lobo Branco demonstra uma intuição e um senso do oculto fantásticos
fazendo-o muitas vezes contestar o porquê de determinado trabalho e até quais
as intenções de alguém com tudo aquilo. Chega até mesmo a não matar determinado
“monstro” por simplesmente ver o alvo como mais do que apenas uma besta.
Justo, leal, com palavra e ainda assim misterioso e mortal. Este é
Geralt da cidade de Rívia, um homem com habilidades fantásticas, mas dono de um
destino carregado de desafios que podem trazer grandeza ou devastação. Um dos
grandes momentos de sua vida e determinante do seu futuro é o próprio evento
que dá nome ao livro e nos traz várias respostas sobre alguns personagens e também
novas perguntas.
Sem dúvidas Andrzej é um dos melhores autores de fantasia
atualmente no mundo. A Saga do Bruxo Geralt de Rívia, aqui vindo pela editora
WMF Martins Fontes, é apenas uma das provas disso. Com sua mais famosa obra
adaptadas aos mais diversos meios como quadrinhos, um filme e uma serie de 13
episódios, ambos de origem polaca, e aquela que talvez seja a maior adaptação da
saga. A série de jogos The Witcher.
Poderia fazer mais uma resenha só para essa futura trilogia de
games, mas acredito que ela não cabe aqui no momento então deixarei para (talvez)
uma futura oportunidade.
Por hora fiquem apenas com esta humilde resenha desta obra fantástica
trazida pela editora que além de já ter no catalogo dois dos maiores (se não os
maiores) escritores de fantasia mundial, CS Lewis e JRR Tolkien, eles agora tem
Andrzej Sapkowski. Num formato não muito do meu agrado por ter folhas brancas e
não amarelas, mas ainda assim com uma capa belíssima com o nosso anti-herói
nela e o medalhão que é a prova de ser um bruxo estampado em cada capitulo. Mesmo
com meu desagrado sobre as folhas é um livro mais do que necessário para se ler
para qualquer um que goste de fantasia adulta atual e esteja afim de conhecer
mais sobre o universo no qual o jogo se passa.
Uma obra digna de um 9/10.


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